Imperatriz como Imperatriz
Foto: Henrique Matos

A Imperatriz Leopoldinense abriu na noite desta sexta-feira, 21 de dezembro, o último fim de semana de ensaios técnicos na avenida Marquês de Sapucaí em 2007. Muita técnica e poucos erros, foram a tônica do ensaio. Os destaques da noite ficaram por conta da bateria de Mestre Marcone e da excelente interpretação de Preto Jóia. O dono da voz gresiliense estava em uma noite inspirada e provou para todos os seus críticos, que insistiam em dizer que ele estava velho para o samba, que poderá ecoar seu grito de guerra, “Dá licença”, por muito tempo. “A resposta a eles eu dou aqui. É aqui que eu mostro se estou bem ou não. Existe uma química entre o setor um e o cantor de samba” declarou o intérprete.
Foto: Diego Mendes

Logo na concentração já tínhamos a certeza de que a escola de Ramos passaria bem em seu primeiro teste na temporada. As palavras do presidente Wagner Araújo afirmando que as notas baixas de harmonia, evolução e conjunto no carnaval passado, foram exclusivamente culpa da agremiação, não dos julgadores. E só dependia dos componentes vestirem a camisa e certamente fariam um carnaval como merece a Imperatriz. Na seqüência podemos ouvir o esquenta com dois sambas “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós”, campeão em 1989 e um samba exaltação.
Foto: Diego Mendes
A diferença em relação aos ensaios do ano passado foi notória. O treino começou como em todas as co-irmãs, com a Comissão de Frente fazendo uma ensaiada coreografia pedindo passagem para o desfile. Os componentes das primeiras alas cantavam, mas pouco se movimentavam. O que foi prontamente corrigido pela direção de harmonia. O samba, considerado por muitos o melhor do ano, funcionou de maneira correta, animando os foliões, apesar de não empolgar. Talvez devido ao reduzido público que compareceu ao sambódromo, cerca de 7 mil pessoas. Quem sabe, dia 26 de janeiro, quando retorna para mais um treino, a composição mexa também com as arquibancadas.
A Imperatriz foi à primeira escola que não trouxe musas entre as alas, à exceção ficou por conta da eterna porta-bandeira, Maria Helena. A maior Maria de Ramos estava exatamente no setor aonde virá o carro alegórico que vai desfilar, sempre esbanjando alegria e cantando o samba com muito afinco. Falando nisso, o primeiro casal Verônica e Marcílio, apresentou uma evolução diferente, com passos lentos que valorizaram a expressão facial. Lembrando muito os tempos de Chiquinho e sua mãe.
Foto: Diego Mendes

A festa que os integrantes da bateria fizeram na Praça da Apoteose, onde carregaram Mestre Marcone nos braços, foi totalmente justificável. Sempre firme e apresentando paradinhas muito boas, os ritimistas não deixaram a desejar e impressionaram pala exatidão que executaram as bossas. Outro fator de grande destaque foi o ritmo imprimido à obra de Josimar, Di Andrade, Valtenecir, Carlos Kind e Jorge Arthur. O andamento cadenciado ajudou os componentes à não perderem o fôlego, fazendo a harmonia funcionar até o fim do teste. “Eu não tenho palavras para definir o que estou sentindo. Hoje foi tudo perfeito, o andamento, as paradinhas e meus ritimistas estão de parabéns”, afirmou muito emocionado o jovem diretor de bateria da agremiação.
Foto: Diego Mendes

Luiza Brunet retornou a frente dos ritimistas gresilienses depois de dois anos de ausência. A atriz afirmou que o samba está em sua veia e que nunca largará sua agremiação de coração. O cantor Elymar Santos esteve o tempo todo com a rainha, ambos eram só alegria, estavam empolgados e sambando muito. A Imperatriz é a terceira escola a desfilar, na segunda-feira de carnaval, com o enredo “João e Marias”, da carnavalesca Rosa Magalhães.