A peça que faltava na coleção tijucana
Foto: Ricardo Almeida

Mais uma escola a definir seu samba para o ano de 2008, a Unidos da Tijuca deu a vitória à parceria formada por: Julio Alves, Sereno, Beto Lima, Paulo Rios e Sóstenes. A noite começou com uma rápida apresentação dos três concorrentes, diferentemente do que havíamos visto em outras agremiações. O intérprete da escola Wantuir mexeu com os brios dos componentes quando declarou: “Vamos continuar lutando, a chapa continuará quente, já está na hora da Tijuca ganhar o carnaval. O dia vai chegar”, em seguida cantou o belo samba de exaltação “O sonho continua”. O Mestre-sala Bira e a Porta-Bandeira Lucinha tomaram a frente do palco com o pavilhão azul e amarelo, embalando todo o público nas bossas da bateria.“A Tijuca já foi campeã, falta vencer na minha gestão. Por isso invisto na comunidade. Temos apenas sete alas comerciais”, comentou o presidente Fernando Horta.
Foto: Ricardo Almeida
A primeira obra a se apresentar foi composta por: Fabão, Sérgio Mani e Flávio Batata, como de costume, a torcida invadiu a pista com bolas em meio a uma chuva de papel picado. Porém nem o esforço do intérprete Nêgo, conseguiu animar os presentes. O que começou a mudar quando ouvimos os primeiros versos do segundo concorrente. Com um refrão central bem animado “Tira a mão do meu brinquedo não mexe não / Não mexe não na coleção nem põe o dedo / Demorei tanto pra ganhar a figurinha / E agora que ela é minha de perder eu tenho medo”, conseguiu uma melhor identificação com o público.
Foto: Ricardo Almeida
Mas a peça que faltava para completar a coleção tijucana era realmente o último samba da noite. Quando ouvimos a frase: “Dá uma show Tijuca, outra nota dez para colecionar” tivemos a certeza que este seria o samba escolhido. Por isso, Sereno, um dos autores do samba se emocionou muito no palco, enquanto defendia sua obra, ao lado do intérprete Tinga. A quadra inteira vinha no embalada nos seus versos e até torcedores dos concorrentes cantavam, em meio a sinalizadores e até uma enorme queima de fogos, que aconteceu assim que a bateria começou a tocar.
DECLARAÇÕES
Foto: Ricardo Almeida

“Com essa escolha, cinqüenta por cento do trabalho está bem feito. Agora é trabalhar e fazer os outros cinqüenta na avenida. Certamente mais um samba para levar o Estandarte de Ouro”, afirmou Bira, primeiro Mestre-sala da casa. “Ontem na Portela, disse que queria um samba tão bom quanto aquele para a minha escola. Parece que Papai do Céu quis também”, comemorava Wantuir. O novo Mestre de bateria Casagrande comentava feliz a decisão da diretoria: “Substituir uma pessoa com a competência e carisma do Celinho é muito difícil, mas com esse samba fica um pouco menos complicado”. A Unidos da Tijuca será a segunda escola a desfilar na segunda-feira gorda, com o enredo: “Vou juntando o que eu quiser, minha mania vale ouro. Sou Tijuca, trago a arte colecionando o meu tesouro”, do carnavalesco Luiz Carlos Bruno.

A comissão avaliadora se posicionou em uma mesa no palco central. Com uma pista de desfile aberta no meio da quadra, começaram as apresentações dos concorrentes. O primeiro samba foi de Serginho Procópio e não empolgou. Em seguida a obra que tinha como um dos autores, Noca da Portela, que se esforçou muito, conseguiu animar a fria passagem, assim como o terceiro samba também não agradou. No samba de Wanderley Monteiro e parceiros, a quadra deu uma animada e no fim da apresentação cantava alguns versos, além de uma bela letra, podemos assistir a boa apresentação de Pixulé. Mas a noite foi mesmo da quinta obra apresentada, levando a torcida ao delírio.
Quando ouvimos os primeiros versos do refrão: “Eu sou a água, sou a terra, sou o ar / Sou Portela / Um sonho real, um grito de alerta / A natureza que encanta a passrela.”, tínhamos a impressão que este seria o campeão. Os torcedores e vários segmentos da escola cantaram a plenos pulmões, em meio a uma chuva de papel picado e até uma enorme bandeira que foi estendida pelos torcedores. Quando o resultado foi anunciado a quadra fez uma grande festa e os campeões foram carregados nos ombros.
A alegria era tanto que o casal de mestre-sala e porta bandeira acompanhados da bateria invadiu a Rua Clara Nunes, fazendo um belo desfile na madrugada suburbana. “Quando o samba é bom, fica mais fácil trabalhar. E com samba e bateria bem, temos 80% de um desfile bem feito. Nesse ano não vou trazer as liras, mas teremos uma bela ala de agogôs” declarou o diretor de bateria Nilo Sérgio. A Portela será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval, com o enredo “Reconstruindo a Natureza, recriando a vida: o sonho vira realidade” do carnavalesco, Cahe Rodrigues.


Com um público estimado em quatro mil pessoas, a bateria de Mestre Odilon, mais uma vez foi um dos grandes destaques da noite. Ao lado do intérprete Wander Pires, que em 2008 cantará um samba feito nas “medidas” dele, e de Grazi Massafera, novamente coroada rainha dos ritmistas de Caxias. A modelo, que estava na companhia do namorado, Cauã Reymond, saudou seus súditos e caiu no samba com o primeiro casal de metre-sala e porta-bandeira, Sidclei e Squel. Vale ressaltar ainda, a bela interpretação de Anderson Paes, defendendo a obra campeã.

A noite foi de festa em Nilópolis e estima-se terem passado pela quadra cerca de 12 mil pessoas. Logo no começo da noite, Neguinho da Beija Flor, subiu ao palco para cantar um samba de sua autoria em homenagem ao patrono da azul e branca, onde citava a história de um menino pobre e sonhador. O intérprete teve a companhia de um boneco gigante do “Seu Anísio”, produzido pela comissão de carnaval.
O primeiro samba a se apresentar foi o de Marcelo Guimarães, Ribeirinho, Dom William, J.C. Coelho, Domingos PS e Elson, interpretado por Tinga e David do Pandeiro. Em seguida foi ao palco a parceria de Tom Tom, Miguel, Sormany, Ademir, Alvinho e Tino, contando com grande torcida, e fazendo uma bonita festa, empolgou parte da quadra, provando que todo ano a disputa é de alto nível. Mas quando, Wantuir, Luizinho Andanças e Bruno Ribas, ecoaram os primeiros versos do refrão “O meu valor me faz brilhar / Iluminar o meu “Estado” de amor / Comunidade impõe respeito / Bate no peito eu sou Beija-Flor”, todo mundo já sabia que este seria o samba campeão. A comunidade abraçou de tal maneira a composição que a bateria parecia estar mais feliz, a porta-bandeira, Selminha Sorriso, era uma das mais animadas no camarote da presidência, onde todos cantavam a plenos pulmões os versos da composição. O compositor Cláudio Russo era só alegria pela sua terceira vitória na casa, sendo a segunda consecutiva.
O sorriso estampado no rosto de Neguinho da Beija-Flor, depois de anunciado o resultado, mostrava a satisfação de toda comunidade. Outro que estava muito feliz e emocionado foi o intérprete da Mocidade Independente, Bruno Ribas, que defendeu o samba vencedor, com muita competência, durante toda eliminatória. “Muita coisa ruim foi dita esse ano sobre a Beija-Flor. Chegou a hora de mostrar pra todo mundo, que essa injustiça que fizeram, dizendo que a escola comprou o carnaval, não passa de reclamação infundada de quem não teve competência para fazer um desfile melhor”, declarou o cantor. O governador do Amapá Waldez Góes (PDT), também prestigiou a escolha do hino nilopolitano, acompanhado de comitiva de seu estado.
Enquanto o presidente se reunia com o departamento de harmonia da escola e com os compositores envolvidos na disputa, no palco desfilavam alguns sambas antológicos, como: “Me Masso se Não Passo pela Rua do Ouvidor” e O Negro que Virou Ouro nas Terras do Salgueiro” ambos do próprio Salgueiro, 1991 e 1992 respectivamente, “Poços de Caldas: Derrama sobre a terra suas águas milagrosas – Do caos inicial à explosão da vida” da Beija Flor 2006, além de Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste, campeão pela Estação Primeira de Mangueira em 2002. Após o anúncio do vencedor, Dudu foi muito abraçado por pessoas de diversos setores da escola. 



